Boi China: como garantir sua fatia nesse mercado

Autor: Premix | Data: 27-11-2019

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Você conhece a lei da oferta e da procura? Quem falou dela pela primeira vez foi o economista britânico Adam Smith e, segundo ele, é ela quem garante o equilíbrio do mercado.

Acontece assim:  quando um produto está escasso, com a procura maior do que a oferta, então os preços sobem e vice-versa – quando a procura por aquele produto é menor do que a oferta, então os preços tendem a cair.

Mas o que isso tem a ver com o tema deste texto? É que tal raciocínio simples explica justamente a reviravolta que o mercado chinês está fazendo com a carne brasileira.

A China é um país gigantesco, com uma economia extremamente aquecida e com uma população faminta por consumir a nossa carne.

Logo, a abertura do mercado chinês para o da carne do Brasil tende a ser a grande notícia dos últimos anos para a pecuária!

Mas qual é mais vantajoso, vender carne aqui ou lá fora?

Depende. O mercado brasileiro, depois de anos de recessão econômica volta a crescer, e com isso naturalmente o mercado interno de carne fica aquecido.

Porém, nos últimos anos, o Brasil vem ganhando cada vez mais importância no contexto internacional. Prova disso é que em 2018 o país bateu recorde na exportação de carne in natura, embarcando 1,353 milhões de toneladas, o que representa R$ 5,6 bilhões em faturamento.

Esse número expressivo é prova de que o país está ofertando carne de qualidade e quantidade para o mundo, e principalmente para os chineses.

E o que a China quer?

O chinês consumidor quer uma carne macia, com marmoreio e que venha de um boi precoce. Apesar da fome da China ser grande pela nossa carne, esse mercado também é muito exigente quanto à qualidade do produto.

VEJA TAMBÉM: Os segredos da carne halal para o consumo dos muçulmanos

Naquela ocasião, o país representava cerca de 1% das exportações de carne do Brasil, número muito inferior aos dias de hoje, já que a China – junto a Hong Kong – atualmente é o maior importador de carne brasileira.

Esse incremento no volume de importações é um sinal de que os produtores brasileiros estão empenhados em oferecer o que há de melhor em carne bovina para o mundo.

São animais cada vez mais precoces, com cerca de 30 meses, com um acabamento de carcaça padrão exportação, ou seja, com cobertura de gordura ideal para tornar a carne mais macia e suculenta, além de todo o rigor no controle sanitário.

A culinária chinesa com a carne brasileira

Há 20 anos, a China era um país com baixo desenvolvimento econômico, com uma população com pouco ou quase nenhum hábito de se alimentar de carne bovina.

Segundo o Ministério da Saúde de lá, em 1982 o consumo médio de carne bovina no país era de apenas 13 kg por ano por habitante.

A carne nesse período era tida como refeição de milionário e seu consumo estava muito restrito a famílias de alta renda.

Atualmente, os chineses consomem cerca de 63 kg de carne por ano, incluindo carne de porco, boi, aves, peixes etc. Segundo projeções, esse número vai chegar aos 93 kg de carne/ano por habitante em 2030!

Esse dado é reflexo de muito fatores, sendo que um deles está relacionado ao incremento na renda do cidadão trabalhador chinês, que nos últimos anos passou a habitar os grandes centros urbanos do país.

Hoje, a China consome 28% da carne produzida no mundo, sendo que metade da produção suína mundial está em solo chinês!

O suíno continua ocupando a posição de maior procura no mercado interno. Contudo, a carne bovina está ganhando espaço nas prateleiras de supermercado e nas mesas das famílias de classe média por lá.

Um número que exemplifica esse incremento da carne bovina na China é que entre os anos de 1996 a 2014 houve um crescimento na ordem de 4,8% na carne de boi, enquanto a suína cresceu na ordem de 3,5%, no mesmo período.

E como falamos, o Brasil é o grande fornecedor de carne bovina para este mercado que não para de crescer!

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Como o pecuarista pode ter um boi China?

O primeiro ponto que precisamos ter em mente é que um boi tipo exportação precisa ter acabamento de carcaça e precocidade.

Na década de 1990, por exemplo, os bois eram enviados ao frigorífico com 4 ou 5 anos. Isso além de ser ruim para o frigorífico, que recebia um animal velho, também era muito ruim para o produtor, pois não permita ter uma produtividade mais acelerada na sua propriedade.

É bem diferente de hoje, pois um novilho precoce é abatido com idade variando entre 18 e 36 meses, o que permite ao produtor aumento no desfrute do rebanho, melhor qualidade na carne e muito mais produtividade no seu negócio, uma vez que o giro de animais por hectare torna o sistema mais lucrativo!

E um pecuarista que consegue entregar um animal precoce, com acabamento de carcaça ideal, com conformidade no rebanho, certamente terá bonificação dos frigoríficos!

A Associação Brasileira de Angus disponibiliza no seu site as tabelas de bonificação de diferente frigoríficos. Vale a pena conferir.

Fonte: China Link Trading

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