Os efeitos do escore na produção pecuária

Autor: Premix | Data: 16-04-2019

Tags: , ,

Atualmente, a pecuária nacional passa por diversas modificações, muitas delas influenciadas pela necessidade do aumento da produtividade, por alterações no manejo nutricional e reprodutivo, bem como com a implementação de novas tecnologias , que têm auxiliado a tornar o sistema sustentável, obtendo índices zootécnicos adequados que influenciam diretamente na taxa de desfrute e, consequentemente, no retorno econômico da propriedade.

Bovinos de corte, principalmente as vacas de cria, são frequentemente criados em sistemas nos quais a disponibilidade de alimento pode ser limitante, tanto na quantidade como na qualidade, principalmente durante o período de estacionalidade da produção forrageira (seca).

Passa a ser necessária a utilização de um correto manejo de pastagens e de suplementação, visando a atender as exigências nutricionais das diferentes categorias da propriedade e manutenção de um status nutricional otimizado.

O papel do escore

Uma ferramenta eficiente para avaliação do status nutricional é o escore de condição corporal (ECC), que é realizado através da classificação dos animais em função da cobertura muscular e da quantidade de gordura subcutânea através de uma escala de 5 pontos, sendo o ECC 1 uma vaca magra, enquanto o ECC 5 é uma vaca extremamente gorda. As metas de ECC são diferentes para as categorias de fêmeas.

Vacas multíparas devem possuir um ECC 3. Já as vacas primíparas (primeira cria) deverão possuir um ECC 3,5 no pré-parto, por ainda estarem em crescimento.

O ECC no pré-parto deve ser mantido até o pós-parto, através da utilização de pastagens com melhor qualidade e um programa suplementar adequado, principalmente no que diz respeito aos teores de proteína bruta.

O efeito do escore no pré-parto 

O escore de condição corporal no pré-parto possui um grande efeito sobre o retorno à ciclicidade. Para se obter um intervalo entre partos de 12 meses, deve-se realizar a concepção das vacas em até 83 dias pós-parto.

Normalmente, vacas com escore de condição corporal reduzido dificilmente retornam à ciclicidade antes dos 80 dias. No entanto, vacas que venham a parir com um ECC de 3 normalmente retornam à ciclicidade em torno de 50 dias.

Assim, a manutenção do escore corporal é fundamental para atingir o objetivo de intervalo entre partos de 12 meses.

Escore e taxa de reconcepção

O escore de condição no pré-parto possui ainda efeitos diretos sobre a taxa de reconcepção à IATF (Inseminação Artificial por Tempo Fixo) e monta natural.

Vacas multíparas submetidas à inseminação artificial com ECC 2 tendem a apresentar 35% de prenhez, enquanto as que apresentam ECC 3 normalmente atingem índices superiores a 55% de taxa de prenhez.

O ECC é mais impactante na prenhez de vacas primíparas porque as fêmeas possuem uma exigência nutricional maior, quando comparadas às multíparas, sendo que a taxa de prenhez pode variar em mais de 30%.

Os efeitos de escore de condição reduzido no pré-parto vão além dos índices reprodutivos, atingindo diretamente a prole, tanto no âmbito do crescimento do feto como nos processos pós-parto, já que vacas com escore reduzido acabam parindo bezerros menos vigorosos e com níveis reduzidos de imunoglobulinas, reflexo da produção reduzida de colostro por parte das vacas.

Como controlar

Uma forma de controlar o escore de condição corporal no pré-parto é através da otimização do manejo nutricional, oferecendo para as vacas as melhores pastagens da propriedade, tendo em vista a estacionalidade.

No período da seca, é recomendada a utilização de suplementos minerais ureados ou proteicos, sendo estes últimos os mais indicados, pois fornecem uma fonte de proteína verdadeira, que possui ação direta na programação fetal.

O teor de proteína do suplemento mineral poderá flutuar entre 40% a 50% para um consumo diário que varia de 250 gramas a 350 gramas, de acordo com o teor de inclusão de cloreto de sódio (NaCl) e ureia (NNP).

Além dos níveis de proteína verdadeira e NNP do suplemento mineral, não se deve esquecer dos níveis de microminerais, dando especial atenção ao Zinco, Selênio, Cobre, Cobalto e Iodo, que possuem ação direta sobre os processos reprodutivos.

Por Marcos Vinicius Biehl

Médico veterinário, doutor em Ciências e gestor de Cria da Premix

Deixe um comentário

avatar
  Subscribe  
Notify of

Posts Relacionados

Saiba tudo sobre o Livro Caixa Digital do Produtor Rural

Pecuária, uma atividade sustentável

Como a tecnologia pode trazer mais produtividade na pecuária

4 cuidados com o pasto no período da seca